Risco aos 494 pontos b?sicos - 9:16 05/12/03

Mercado opera animado com confirma??o de emiss?o soberana.
C-Bond ? recorde

O Risco Brasil voltou a cair ontem diante da perspectiva do Banco Central realizar novas emiss?es soberanas de t?tulos globais, fato confirmado pela autoridade monet?ria durante o dia. Com isso, o risco fechou pr?ximo ao n?vel da ?ltima segunda-feira, 493 pontos b?sicos. Caiu 1,2%, aos 494 pontos. Seguiram o caminho do otimismo os C-Bonds, por mais uma vez em valor recorde: 97,56%, n?vel 0,38% superior ao da v?spera. O Ibovespa teve um dia de realiza??o de lucros e caiu 0,61%, aos 20.414,17 pontos. Assim mesmo, contabilizou giro financeiro de R$ 1,116 bilh?o, acima da m?dia de novembro. O d?lar subiu 0,44%, a R$ 2,945 na ponta de venda. Houve registro de sa?da de recursos ? tarde e de compra de moeda por parte do Banco do Brasil.

A hip?tese de continuidade da trajet?ria de desvaloriza??o do risco-Pa?s est? longe de ser considerada consenso entre os especialistas de mercado. Uma parte defende a id?ia do indicador j? estar em um n?vel exageradamente baixo, levando em conta o fato da rela??o d?vida/PIB ainda estar elevada e do processo de reformas n?o ter sido conclu?do.

- H? 30 dias o patamar de equil?brio do risco-Pa?s era de 600 pontos. Todos aceitavam isso, tomando como base as seguidas quedas dos juros b?sicos (Selic) e a infla??o sob controle. Mas as reformas est?o de lado, existem confus?es geradas pela reforma ministerial e, na pr?tica, os avan?os em termos estruturais s?o pequenos - disse J?lio Pereira, gerente de mesa do Banco BVA.

Outros analistas consideram a faixa em torno dos 500 pontos aceit?vel e plaus?vel. Mas se dizem c?ticos diante da possibilidade de atingir n?veis muito mais baixos este ano. Conforme argumentam, o Governo Lula precisa consolidar em 2004 todos os esfor?os feitos este ano para melhorar o cen?rio econ?mico.

- A economia ainda n?o confirmou as expectativas de crescimento apontadas para esse ?ltimo trimestre do ano. ? um desafio a ser enfrentado pelo Governo Lula, e dele depende uma redu??o mais consistente do risco-Pa?s, assim como de valoriza??o do C-Bond - afirmou Ivanor Torres, analista da Corretora Geral VC.

Parte do mercado v? redu??o com cautela
Uma terceira parte do mercado n?o enxerga o risco nos 500 pontos, ou a baixo desse n?vel, um exagero de otimismo por parte do mercado. A alega??o do diretor da ?rea internacional da Corretora Liquidez, Ofir Elias, se sustenta no fato do risco ter oscilado na faixa dos 400 pontos pouco antes de 1999, refletindo o cen?rio positivo criado no in?cio do Plano Real.

- No ano passado existia um grande receio por parte do investidor estrangeiro sobre o Governo do PT. Havia toda uma incerteza sobre quebra de contratos e isso fez o risco disparar. Mas aos poucos o Governo Lula foi desfazendo esses medos, os fundamentos foram sendo normalizados e hoje as condi??es s?o bem mais favor?veis - comentou.

Ontem, o diretor de Assuntos Internacionais do Banco Central, Alexandre Schwartsman, manifestou a perspectiva da autoridade monet?ria realizar novas emiss?es de t?tulos da d?vida externa nos pr?ximos dias. As opera??es devem ser feitas de forma gradual, mas condicionadas a novas quedas do risco-Pa?s.

- Essa afirma??o de Schwartsman indica a vis?o do BC sobre haver mais espa?o de queda para o risco. E isso ? bom para o Brasil - avaliou Daniel Gewehr, analista da Corretora Solidus.

O valor de face do principal t?tulo da d?vida externa, os C-Bonds, estar pr?ximo dos 100% n?o chega a ser uma preocupa??o, na avalia??o do diretor do BC. Na opini?o de Schwartsman, o pre?o de 97,56% ? sustent?vel e n?o se deve apenas aos baixos juros pagos pelos t?tulos americanos.

Troca prov?vel ? de C-Bond por Global
Para especialistas, o n?vel de pre?o de 97,56% do C-Bond passa a id?ia do Governo ter o interesse de trocar C-Bonds por Globals com prazos mais alongados. O Governo tem essa op??o quando o t?tulo chegar a 100% (? o chamado callable), mas as apostas no mercado n?o indicam essa possibilidade agora. Sobretudo pelo fato das reservas l?quidas do Pa?s estarem muito baixas, em torno de US$ 18 bilh?es.

E conforme o pr?prio Schwartsman deixou claro, essa opera??o de troca s? ? vantajosa se o Brasil conseguir fazer capta??es no exterior a juros inferiores aos a serem pagos para quem possui C-Bond. Em sua avalia??o, isso ? algo improv?vel.

O diretor da ?rea internacional da Corretora Liquidez, Ofir Elias, percebeu um movimento de realiza??o de lucros sobre o C-Bond durante o dia, n?o permitindo um avan?o maior no fechamento. O fato do t?tulo ter demonstrado pouca for?a ao longo do dia n?o deu condi??es para o risco-Pa?s apresentar uma queda consistente no fechamento.

A maior facilidade encontrada por bancos e empresas brasileiras para captar recursos no exterior ? outro fato considerado positivo. Muito mais pelo fato de mostrar a confian?a das institui??es estrangeiras no atual cen?rio brasileiro. Ontem foi a vez do Banco ABN Amro Real anunciar uma opera??o de US$ 100 milh?es em b?nus de tr?s anos, o dobro da oferta inicial. Os recursos v?o entrar no pr?ximo dia 19 e ser?o utilizados para repasse aos clientes.

Na quarta-feira, a Petrobras anunciou capta??o de US$ 750 milh?es, com demanda pr?xima de US$ 2 bilh?es. A Brascan finalizou opera??o de US$ 40 milh?es e o Banco Votorantim, de US$ 120 milh?es). Ambas acima da oferta inicial.

S? que o mercado tem uma certa cautela e receio em rela??o ao prov?vel rumo dos juros americanos. Caso a recupera??o da economia dos Estados Unidos seja realmente confirmada, o Federal Reserve (Fed) pode optar pela eleva??o dos juros, o que seria dr?stico para os t?tulos brasileiros.