SELIC: CORTE DE PELO MENOS MAIS 1 PONTO - 10:39 15/12/03

Maioria dos analistas acredita que o Copom vai reduzir
a taxa b?sica para 16,5% nesta semana

Se a expectativa do mercado financeiro se confirmar, a taxa b?sica de juros terminar? o primeiro ano do Governo Lula em 16,5% - corte de 1 ponto percentual sobre o n?vel atual na reuni?o do Comit? de Pol?tica Monet?ria (Copom), na ter?a e quarta-feira. Alguns especilistas admitem, por?m, que a equipe do BC pode ser mais ousada e reduzir a Selic para 16%, para acelerar o processo de retomada da economia.

Seja qual for a aposta, economistas concordam que a infla??o, principal alvo do Banco Central com a pol?tica de taxas de juros altas deste ano, est? controlada. A proje??o m?dia do mercado ? de que o ?ndice de Pre?os ao Consumidor Amplo (IPCA) feche o ano em 9,18% e em 2004 seja de 6%, segundo o boletim Focus, divulgado pelo BC no ?ltimo dia 8.

Entre os mais otimistas, o economista-chefe do ABN-Amro, Hugo Penteado, acredita na possibilidade de redu??o da Selic para 16% na reuni?o do Copom de dezembro justamente em fun??o dos resultados favor?veis dos ?ndices de pre?os da ?ltima semana. Ele destaca que as expectativas de infla??o est?o muito pr?ximas da meta estabelecida para 2004, de 5,5%.

Desde meados deste ano, o BC anuncia que a pol?tica monet?ria de 2003 foi conduzida com objetivo de atingir a meta de 2004, j? que a deste ano (de 8,5%) j? estava comprometida. Ainda assim, com os juros restritivos nos primeiros meses do Governo, o IPCA dever? ficar pouco acima do teto para 2003.

- Fizemos nossa proje??o baseados na aus?ncia de press?es inflacion?rias e na estabilidade do c?mbio. Existe um espa?o significativo para o Governo reduzir os juros, estimulando a demanda sem gerar infla??o - justifica Penteado.

Na ?ltima semana, todos os indicadores de pre?os divulgados foram resultados considerados muito positivos pelo mercado financeiro. O IPC da Fipe da primeira quadrissemana de dezembro foi de 0,20%, no piso das expectativas, que variavam entre 0,20% e 0,32%. Tamb?m atingiram as proje??es mais otimistas a primeira pr?via de dezembro do ?ndice Geral de Pre?os ao Mercado (IGP-M), em 0,27%, e o ?ndice Geral de Pre?os-Disponibilidade Interna (IGP-DI), de 0,48%.

Relat?rio divulgado pelo banco Bradesco destaca que estes resultados "corroboram um cen?rio benigno com o qual o Copom ir? deparar-se".

O economista-chefe da corretora Fator-D?ria Atherino, Vladimir Caramaschi, concorda que a infla??o est? sob controle, mas afirma que existe risco de volta das press?es sobre os pre?os caso o BC opte por acelerar o processo de queda da taxa de juros. "A Selic j? est? num n?vel bem reduzido. A recupera??o da economia no ano que vem ? certa. N?o h? raz?o para um corte mais forte que possa criar problema de retorno da infla??o em seis meses", explica. O economista lembra que a pol?tica monet?ria tem efeito de longo prazo e, por isso, o BC n?o deve mais pensar na desacelera??o econ?mica deste ano.

A retra??o de 0,5% na produ??o f?sica da ind?stria nacional em outubro foi uma surpresa negativa para os analistas, que esperavam continuidade do processo de retomada do setor produtivo. O resultado aumentou a expectativa de que o BC possa ser menos conservador na ?ltima reuni?o do ano, para garantir o t?o anunciado crescimento da economia de 3,5% em 2004.

- O Copom est? atento n?o s? ? infla??o, mas ao c?mbio, risco-pa?s e n?vel de atividade. Por isso, ainda h? espa?o para corte de 1,5 ponto percentual na Selic - ressalta o economista da consultoria Global Invest, Alexsandro Agostini Barbosa.

O economista da Global Invest admite que as ?ltimas tr?s redu??es da taxa b?sica de juros n?o ir?o afetar o resultado da ind?stria no ?ltimo trimestre deste ano e somente ter?o reflexo nos primeiros meses de 2004. Ele afirma, contudo, que a indica??o do BC de preocupa??o com a atividade econ?mica ? muito importante.

- N?o estou falando de efeito psicol?gico dos cortes nos juros, mas do efeito pr?tico. O BC tem que sinalizar para o setor produtivo que a tend?ncia dos juros ? de queda, e o mais r?pido poss?vel, para ressuscitar a economia com o aumento de cr?dito - afirma Barbosa.

Lu?s Suzigan, economista da LCA Consultores, lembra, por?m, que na reuni?o do Copom de novembro, dois integrantes do Comit? j? votaram contra o ?ltimo corte de 1,5 ponto percentual. Na sua opini?o, ? pouco prov?vel que desta vez o BC mantenha o ritmo observando a queda da produ??o industrial. "A infla??o est? controlada, mas sempre existe o risco de ocorrer algum efeito externo que gere press?o cambial e os pre?os voltem a subir. Por isso o aforuxamento da pol?tica monet?ria deve ser gradual", diz. A LCA prev? redu??o da Selic para 16,5%.

Queda deve diminuir de ritmo em 2004

O sucesso da expectativa do Governo de crescimento econ?mico em 2004, de pelo menos 3,5%, depende da continuidade da redu??o da taxa b?sica de juros da economia (Selic), segundo representantes do setor produtivo. O mercado financeiro alerta, por?m, que a Selic deve chegar ao fim do pr?ximo ano entre 14% e 13%, o que significa redu??o no ritmo de cortes, iniciado em junho. Para janeiro, as proje??es s?o de queda na Selic de 0,5 ponto percentual ou at? estabilidade, dependendo do resultado da reuni?o do Copom desta semana.

- Se o BC optar por reduzir os juros para 16% ainda este ano, em janeiro pode n?o haver corte nenhum e em fevereiro eles reduziriam entre 0,5 e 0,25 ponto percentual - aposta o economista da consultoria financeira Global Invest, Alexsandro Agostini Barbosa.

O setor produtivo alerta, por?m, que tem pressa. A retomada da atividade industrial depende de melhores condi??es de cr?dito e da decis?o de investimentos dos empres?rios que ainda aguardam mais ousadia do Banco Central.

- Os investimentos ser?o retomados quando os juros reais estiverem pr?ximos de 8% e a recupera??o da economia depende destas decis?es - destaca a chefe da assessoria de pesquisas econ?micas da Federa??o das Ind?strias do Rio de Janeiro (Firjan), Luciana de S?.

O presidente da Federa??o das Ind?strias de S?o Paulo (Fiesp), Hor?cio Lafer Piva, tamb?m faz o mesmo apelo. Ele alerta que para o aumento do Produto Interno bruto (PIB) no pr?ximo ano chegar ao que espera a equipe econ?mica do Governo, os juros teriam que terminar este ano j? em 15,5%.

A economista da Firjan diz que compreende a preocupa??o do Banco Central de reduzir gradativamente os juros para evitar novas press?es inflacion?rias. "O BC n?o pode errar na m?o agora. Se a ind?stria retomar a produ??o em ritmo muito acelerado, h? risco de novo aumento de pre?os", afirma. Ela acrescenta que o atual n?vel do risco Brasil, acima da m?dia dos outros pa?ses emergentes, tamb?m impede queda muito acentuada da Selic.

Apesar de ponderada nas cr?ticas em rela??o ?s decis?es passadas do Copom, Luciana conclui que concorda com a cobran?a do presidente da Fiesp, e afirma que o BC deve ter a maior ousadia poss?vel neste momento para acelerar as decis?es de investimento da ind?stria. "Concordo que o crescimento somente come?ar? a acontecer quando os juros reais estiverem mais baixos", diz.

Lu?s Suzigan, economista da LCA Consultores, lembra que ainda existe um piso para a Selic em fun??o da necessidade de financiamento externo do Brasil. "O pesado endividamento externo do Pa?s exige que as taxas de juros reais sejam muito atrativas. A tend?ncia ? de que em abril ou maio do pr?ximo ano os juros de outros pa?ses, como Estados Unidos, voltem a subir. Vamos precisar de taxas competitivas neste per?odo", destaca. A proje??o da LCA Consultores ? de que a Selic esteja em 14% no fim de 2004, com juros reais de 8%.

Mais otimista, o economista-chefe do ABN-Amro, Hugo Penteado, aposta que no fim de 2004 a Selic esteja em 13% e que o juro m?dio seja de 13,2%. Se a proje??o de infla??o para o pr?ximo ano se confirmar, ele afirma que o juro real m?dio do pr?ximo ano ser? de 7,4%, o que atende ?s expectativas da ind?stria.

Quando o presidente Lula assumiu o cargo, em janeiro, a Selic era de 25%. J? no primeiro m?s de Governo, os diretores do BC promoveram aumento na taxa b?sica de juros para 25,5% e para 26,5% no m?s seguinte. Os cortes somente come?aram a ocorrer a partir de junho, primeiro moderadamente, para 26%. Nos meses seguintes, o Copom reduziu a taxa entre 1,5 e 1 ponto percentual at? os 17,5% atualmente.

A manuten??o das taxas juros no n?vel mais alto do ano, por quatro meses, foi respons?vel pela frustra??o da expectativa de crescimento para 2003. Quando assumiu, a equipe econ?mica do Governo previa aumento do PIB deste ano de 1,5% e agora j? admite crescimento pr?ximo de zero. As expectativas de infla??o, por outro lado, foram reduzidas no mesmo per?odo. Agentes financeiros chegaram a prever que a infla??o acumulada do ano seria de cerca de 12%. Na ?ltima sondagem feita pelo BC, a proje??o era de que a varia??o de pre?os ser? de 9,18% em 2003.